Precisamos falar sobre educação midiática

Habilidades incluídas na BNCC criam oportunidades para que o combate às chamadas ‘fakes news’ chegue às escolas

A aprovação da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) trouxe uma série de desafios para as salas de aula de todo o País, impactando diretamente o trabalho dos professores da educação básica. De modo geral, o documento, organizado em torno de competências, reforça a responsabilidade da educação como promotora de um ambiente informacional ético, respeitoso e responsável.

Observando o texto de maneira mais específica, vemos que a parte dedicada à língua portuguesa traz um campo denominado jornalístico-midiático. O foco é formar os estudantes para os diversos usos da linguagem e para a participação na sociedade de maneira reflexiva e criativa. Ou seja, a avaliação crítica das mídias e a produção de textos em formatos diversos ganharam destaque na BNCC, não só no que diz respeito à Esfera do jornalismo e da comunicação social, mas também em um contexto de participação cívica, da pesquisa e documentação científica e histórica, e da expressão artística.

Tudo isso tem um nome: educação midiática, termo pouco difundido no Brasil. Em linhas gerais, a educação midiática é um conjunto de habilidades que precisam ser desenvolvidas pelas crianças e jovens para que possam ler informações de maneira reflexiva, produzir conteúdos com responsabilidades e, com isso participar ativamente da sociedade.

Essa demanda não é nova, mas ganha urgência à medida que saber filtrar e dar sentido ao enorme fluxo de informação é um exercício diário, além de fator de inclusão ou exclusão social, já que a tecnologia ampliou consideravelmente a velocidade e o alcance da desinformação.

Diferenciar uma ‘fake news’ de uma sátira, um boato, opinião, conteúdo patrocinado ou erro de reportagem está cada vez mais difícil. Isto porque não estamos surfando apenas uma onda de desinformação: estamos em meio ao que podemos chamar de tempestade perfeita. Basta olhar em volta para ver que houve uma mudança radical na forma com produzimos e consumimos informação. Se antes vivíamos a escassez, passamos a viver uma realidade em que somos todos produtores de conteúdo, que podem ser criados em ferramentas cada vez mais acessíveis.

Tal situação não é exclusiva do Brasil. É uma preocupação global e, não é à toa. Um estudo do MIT (uma das instituições de ensino mais prestigiadas dos Estados Unidos) mostrou que, no Twiter, informaç~ioes falsas têm 70% mais chances de serem retuitadas do que as verdadeiras.

Os problemas gerados pelas desinformações são muitos. Mas também são muitas as oportunidades de combatê-los. A hora é agora: se queremos jovens capazes de refletir sobre o conteúdo que consomem, de se expressar com responsabilidade e ter sua voz na sociedade, precisamos discutir educação midiática nas escolas.

Para quando eles crescerem!

Mesmo em idade menor, a criança pode em seu ambiente familiar ou escolar ouvir os adultos comentarem sobre alguma notícia ou acontecimento, e eles em algum momento estão expostos em meio à tecnologia e acesso a tantas informações. E, para isso, é fundamental o papel dos educadores e dos pais orientarem os seus filhos que se faz necessário cada vez mais cuidado e racionalidade ao ler as notícias com mais flexibilidade e responsabilidade.

Educar para a informação é educar para a vida em um mundo cada vez mais conectado.

Fonte: Folha