Memória, Flexibilidade e Foco: Por que as Funções Executivas são fundamentais para a leitura?

 

Ler um livro, planejar a viagem de férias com a família ou controlar a vontade de comer um doce. Por mais diferentes que possam parecer, todas essas atividades dependem das funções executivas para serem realizadas.

Se esse nome causa estranheza, saiba que usamos as funções executivas em praticamente todas as ações realizadas no cotidiano. Afinal, elas são as habilidades cognitivas que controlam e regulam nosso modo de pensar, sentir e agir.

 

Mesmo operando em conjunto, podemos diferenciá-las em três competências: memória de trabalho, flexibilidade cognitiva e controle inibitório.

 

Em constante processo de desenvolvimento, as crianças estão aprendendo a lidar com as funções executivas. Por essa razão, a Zastras acredita que não podemos exigir delas o auto-controle, o foco, a atenção e a memória de um adulto.

 

Entretanto, é importante ressaltar que crianças com baixo desenvolvimento das funções executivas apresentam dificuldades para:

 

  • Focar e manter a atenção
  • Tomar decisões
  • Organizar-se e planejar
  • Controlar os impulsos
  • Reter informações

 

No processo de alfabetização, as habilidades das funções executivas são necessárias, por exemplo, para reconhecer as letras e decodificá-las, para contextualizar informações, para assimilar o código ortográfico e para compreender textos.

 

Memória de trabalho, decodificação e retenção do conteúdo

A memória de trabalho é a função executiva responsável por reter uma informação enquanto realizamos outra tarefa, sendo capaz de acessá-la novamente quando preciso.

 

No processo de aprendizagem da leitura, a criança precisa decodificar as palavras, convertendo os símbolos gráficos, as letras, em seus sons correspondentes, os fones. Isso exige que ela use a memória de trabalho, por exemplo, para guardar a letra e o som inicial da palavra enquanto trabalha para “desvendar” o restante da palavra.

 

Agora, imagine fazer isso com um texto inteiro! Em situações como essa é comum a criança com baixo desempenho das funções executivas pronunciar as palavras de forma incorreta, assim como não compreender o que lê ou não conseguir reter o conteúdo lido. Se a uma decodificação lenta associa-se uma memória de trabalho débil, pode ter certeza: a criança gastará tanto tempo e esforço tentando decifrar uma palavra que se esquecerá do que estava lendo antes.

 

Flexibilidade cognitiva e compreensão de textos

Quando usamos expressões como “pensamento criativo” ou “pense fora da caixa”, estamos justamente nos referindo à função executiva conhecida como flexibilidade cognitiva. É graças a ela que somos capazes de nos imaginar dentro de uma história ao ler um livro, temos maleabilidade para lidar com as mudanças e habilidades para a resolução de problemas.

 

No processo de aprendizagem da leitura, junto com o uso da memória de trabalho, as crianças precisam fazer uso da flexibilidade cognitiva, por exemplo, em questões que exigem manipular diferentes informações, analisar a construção da frase, a organização do texto, o significado das palavras no contexto, considerando ainda a possibilidade de mais de um significado para uma palavra. Essas são operações fundamentais no processo para a compreensão do texto lido.

 

Para as crianças de maneira geral é difícil compreender construções frasais na voz passiva, já que estão mais acostumadas a construções frasais na voz ativa. Mas a criança com déficit das funções executivas tem ainda mais dificuldade com a passiva. Ela provavelmente não terá problemas para entender uma frase como “André acusou Pedro”; no entanto, ela poderá confundir-se se lhe apresentarem a frase na voz passiva: “Pedro foi acusado por André.”

 

É difícil para ela manter na memória a “ação sofrida” por Pedro até chegar ao final da frase para descobrir quem ou o que está praticando a ação.

 

Além disso, se ela não tiver um contato regular com a voz passiva – por meio da interação verbal e da leitura em voz alta, é claro que terá mais dificuldade em compreender tais estruturas.

 

Controle inibitório e atenção

Já a função executiva de controle inibitório está relacionada a nossa capacidade de resistir a um impulso, assim como à capacidade de focar e manter a atenção em algo, mesmo competindo com uma série de outras coisas. É, por exemplo, a capacidade de escrever um texto em um ambiente barulhento. Ou de conter um xingamento diante de uma fechada no trânsito.

 

Toda habilidade nova exige foco e concentração. Uma criança com fraco desenvolvimento da função executiva de controle inibitório vai precisar do dobro de atenção para ler. É um processo árduo, já que o menor som, um passarinho cantando, um toque do celular ou um carro passando na rua ou a mera lembrança da cena de um filme podem desconcentrá-la.

 

Manter o foco acaba se tornando um verdadeiro desafio, que pode levar a criança a ficar cansada e desmotivada, pois o exercício da leitura torna-se uma penitência.

 

Durante a leitura, a atenção é necessária para várias coisas. Dentre elas, para o reconhecimento das letras e para evitar a confusão entre letras semelhantes como O e Q maiúsculos, P e R maiúsculos, I maiúsculo e l minúsculo, etc.

 

Por essas razões é fundamental estimular as funções executivas das crianças desde cedo. Na Zastras você encontra uma série de brinquedos, livros e jogos para praticar com seus filhos para as faixas etárias: 2 a 4 anos, 5 a 7 anos e 8 a 10 anos. Vale a pena conferir!

 

Fonte: Como Educar seus filhos?